terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dica Teórica sobre Elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)

A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) passou a ser um relatório obrigatório pela contabilidade para todas as sociedades de capital aberto ou com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). Esta obrigatoriedade vigora desde 01.01.2008, por força da Lei 11.638/2007, e desta forma torna-se mais um importante relatório para a tomada de decisões gerenciais. A Deliberação CVM 547/2008 aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 03, que trata da Demonstração do Fluxo de Caixa. De forma condensada, esta demonstração indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa em determinado período e, ainda, o Resultado do Fluxo Financeiro. Assim como a Demonstração de Resultados de Exercícios, a DFC é uma demonstração dinâmica e também está contida no balanço patrimonial. A Demonstração do Fluxo de Caixa irá indicar quais foram às saídas e entradas de dinheiro no caixa durante o período e o resultado desse fluxo.


Existe duas formas para demonstrar a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)


Método Direto

No método direto, a DFC é elaborada a partir da movimentação diretamente ocorrida nas disponibilidades. Nesse método, são apresentados todos os itens que tenham provocado entrada ou saída de disponibilidades, vale dizer, todos os pagamentos recebimentos.

Método Indireto

No método indireto, também conhecido como método da reconciliação, a DFC é elaborada a partir do resultado, ou seja, do lucro ou prejuízo liquido do exercício, de forma semelhante a elaboração DOAR.
Como, na DFC, devemos evidenciar o fluxo financeiro das atividades operacionais gerado pelo lucro ou prejuízo, são eliminadas do resultado, por adição ou exclusão, as receitas e despesas que não afetaram as disponibilidades ou que representam atividades de financiamento ou investimento; e são acrescidas ou diminuídas do lucro ou prejuízo liquido as disponibilidades geradas pelas atividades operacionais que não afetaram o resultado.
Desse modo, os ganhos e perdas na alienação de bens do ativo permanente estão embutidos o resultado do exercício, mas devem ser eliminados das atividades operacionais e apresentados no grupo das atividades de investimento, como parte integrante do valor total recebido na alienação dos bens.
As contas do ativo circulante e do realizável a longo prazo relacionadas as atividades operacionais que tiverem sofrido aumento durante o exercício devem ter os aumentos de saldos diminuídos do lucro ou prejuízo liquido do exercício. Um aumento no saldo da conta clientes, por exemplo, geralmente corresponde a venda a prazo. A contra partida, nesse caso, terá sido a conta Vendas. Mas a receita, apesar de ter sido computada no resultado, ainda não foi recebida. Assim, na DFC, a redução da variação positiva do saldo da conta clientes elimina do resultado as vendas a prazo que ainda não foram recebidas.
As contas do ativo circulante e do realizável a longo prazo relacionadas as atividades operacionais que tiverem sofrido diminuição durante o exercício devem ter as reduções de saldos somadas ao lucro ou prejuízo liquido do exercício. Uma redução no saldo da conta clientes durante o exercício normalmente decorre do recebimento do valor, gerando aumento das disponibilidades. Portanto, trata-se de disponibilidades geradas pelas atividades operacionais que não afetaram o resultado, uma vez que a receita da venda já terá sido lançada anteriormente, em atendimento ao principio da competência.
No entendo, deve-se tomar cuidado com as variações ocorridas no ativo circulante e no realizável a longo prazo que não provocam efeitos no fluxo de caixa, como é o caso da baixa de duplicata incobráveis.
As contas do passivo circulante e do exigível a longo prazo relacionadas as atividades operacionais que tiverem sofrido aumento durante o exercício devem ter os aumentos de saldos somados ao lucro ou prejuízo liquido do exercício. Um aumento no saldo da conta Fornecedores, por exemplo, é correspondente a compra a prazo. A contra partida é a conta mercadorias. A medida que as mercadorias são vendidas, há a transferência do valor para o resultado, na conta CMV(Custo das Mercadorias Vendidas). Somando ao lucro ou prejuízo a variação positiva no saldo da conta fornecedores e subtraindo a variação positiva da conta mercadorias, teremos no resultado apenas os valores relacionados a mercadorias cuja aquisição já foi paga.
Por analogia, as contas do passivo circulante e do exigível a longo prazo relacionadas as atividades operacionais que tiverem sofrido redução durante o exercício devem ter as reduções de saldos diminuídas do lucro ou prejuízo liquido do exercício


Definições

- Caixa compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis.
- Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversáveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insgnificante risco de mudança de valor.
- Fluxos de caixa são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa.


Apresentação da DFC

A demonstração dos fluxos de caixa deve apresentar os fluxos de caixa do período classificados por atividades operacionais, de investimento e de financiamento.


Atividades Operacionais

Os fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais são basicamente derivados das principais atividades geradores de receita da entidade. Portanto, eles geralmente resultam das transações e de outros eventos que entram na apuração do lucro liquido ou prejuízo. Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais são:

- Recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas;
- Pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias de serviços;
- Pagamentos de caixa a empregados;
- Recebimentos e pagamentos de caixa por seguradora de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice;
- Pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a renda, a menos que possam ser especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de investimento;


Atividades Financiamentos

São as atividades ligadas a empréstimos e financiamentos obtidos e a recursos captados perante investidores da companhia. Incluem os recebimentos decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos e o pagamento do principal dessas operações. Nesse grupo, são apresentados os recursos recebidos dos acionistas ou sócios em realização de capital e o pagamento do seu eventual reembolso, além dos dividendos pagos.

- Pagamentos de caixa para aquisição de ativo imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo. Esses desembolsos incluem os custos de desenvolvimento ativados e ativos imobilizados de construção própria;
- Recebimentos de caixa resultantes da venda de ativo imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo;
- Adiantamentos de caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto adiantamentos e empréstimos feitos por instituição financeira)


Atividades de Investimentos

Em regra, os fluxos das atividades de investimento estão relacionados aos aumentos e diminuições dos ativos de longo tempo de vida útil, utilizados na produção de bens e serviços. Esse grupo apresenta os desembolsos decorrentes de empréstimos e financiamentos concedidos e os recebimento correspondentes a esses empréstimos e financiamentos concedidos e os recebimentos correspondentes a esses empréstimos e financiamentos concedidos. Também fazem parte das atividades de investimento os desembolsos na aquisição de títulos e valores de outras sociedades, classificados no circulante ou no permanente, além dos valores pagos na aquisição a vista de bens do imobilizado e diferido.


- Caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais;
- Pagamentos de caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade;
- Caixa recebido proveniente da emissão de debêntures, empréstimos, títulos e valores, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos;
- Amortização de empréstimos e financiamentos, incluindo debêntures emitidas, hipotecas, mútuos e outros empréstimos de curto e longo prazos; e
- Pagamentos de caixa por arrendatário, para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil financeiro.

Observação: Veja mais informações para fazer a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) no sistema AC Contábil clique aqui.

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